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sábado, setembro 28
  Baba Ovo Press Club

Conheça mais um clube dos jornalistas puxa-sacos



Uma das principais características de um clube, além da amizade que reúne as pessoas em torno dele, é a prática do elogio mútuo. É como se, uma vez agrupados em torno de uma afinidade ou atividade em comum, todos os seus componentes tivessem apenas boas coisas a mostrar e a exaltar em seus companheiros. Impossível imaginar um grêmio em que seus membros se xingassem o tempo todo.



Transportando o ambiente clubístico para o Jornalismo, me pergunto se os seus profissionais não deveriam ter o cuidado de evitar os ajuntamentos corporativos além da rotina entre sindicatos e filiados, relação por si só obviamente próxima e de cunho até pecuniário pois os primeiros sobrevivem, entre outras coisas, com o dinheiro arrecadado entre seus membros.



O jornalista, entretanto, não consegue limitar-se à relação sindical. No Brasil, não é incomum um jornalista virar assunto ou pauta para outro jornalista. Da mesma forma, não é inusual que um grupo de jornalistas reúna-se para ouvir em palestra ou em entrevista algum colega de maior destaque ou de posição hierárquica numa grande publicação, o que daria a ele, por isso, a condição de “entrevistável”.



Deste ambiente entre amigos e de autobajulação, costuma nascer o puxa-saquismo, uma das mais odiosas práticas do ser humano.Que isso ocorra entre os imortais da ABL, entre soldados de um Corpo de Bombeiros ou numa reunião de pais e alunos é absolutamente compreensível. O que nunca consegui entender é porque os jornalistas não conseguem reprimir este desejo comum a uma boa parte da Humanidade. A responsabilidade que eles têm pela natureza de seu ofício e a postura que precisam exibir com honestidade em razão da natureza do seu trabalho deveriam fazer do jornalista puxa-saco algo raro e motivo de chacota perante o resto da chamada “categoria”.



Ao contrário, a bajulação descarada está presente entre os “coleguinhas” assim como em qualquer outro meio profissional. Aliás, a expressão “coleguinhas” simboliza uma comunhão forçada, pois basta adquirir um diploma para que o ex-universitário passe da condição de colega de sala para a de colega de redação, como se a amizade tivesse que nascer só porque todos trabalham no mesmo local e exercem as mesmas atividades.



Um dos últimos episódios do meio profissional da imprensa que apenas ratifica minha decepção com os “coleguinhas” deu-se em recente encontro promovido pelo Jornalistas&Cia, grupo cuja missão é a de promover o debate sobre a profissão, o que implica em de vez em quando ouvir jornalistas em cargos de chefia sobre suas experiências e sobre o que teriam eles a dizer aos mais jovens e ao mercado em si.



Neste encontro, 60 membros ou convidados do clube congregaram-se em elegante hotel paulistano para um “agradável e descontraído” café da manhã em torno do diretor de redação de Época, Paulo Moreira Leite. O resumo da conversa, publicado pelo portal Comunique-se pelo seu colunista, Eduardo Ribeiro, é um extrato discriminado de como se comportam os temíveis, inteligentes ou implacáveis homens da mídia quando agrupados para ouvir um colega.



Segundo o relato do jornalista Eduardo Ribeiro, Paulo Moreira Leite comentou o “sucesso” da revista que teria vencido o “desafio” de “acontecer entre os formadores de opinião”. Época, para o seu diretor, passou a ser "efetivamente comentada nas rodas, nos jantares, nos clubes, no trabalho..” , faltando apenas o banheiro e a cozinha de todas as residências do país. De que maneira Paulo Moreira Leite conseguiu aferir tão impressionante aceitação da revista não se sabe pois ninguém o questionou a respeito. Claro.



Bem característico da bajulação sem limites, ao longo do relato feito pelo colunista sobram expressões como “provocado sobre”, “foi convincente”, “foi enfático”, “não deixou de dar respostas às acusações”, “não se furtou a comentar”, etc..



Para arrematar, o encontro serviu para legitimar entre colegas a excelência de reportagens como a do usao de maconha por gente famosa e que rendeu a demissão da jornalista e apresentadora Soninha da TV Cultura. Sem ter sido ao menos avisada de que seria a capa daquela edição, Soninha reclamou sem sucesso. Sobre o caso, vejam o que diz Paulo Moreira Leite: “Dizer que não sabia que seria capa, que não estaraim em outdoors é renegar a própria profissão, pois ela sabe, como todos nós, que manchete, destaque, quem dá é o editor no fechamento”.



Este é o jornalista bajulado da vez. Quem será o próximo?


 
sexta-feira, setembro 27
  A Guerra contra Saddam

O Post, NYT e o esconderijo de Ansar al-Islam

Os jornais desta sexta deram destaque às declarações de Rumsfield e de Condoleezza Rice que apontam para aquilo que já foi publicado no Brasil nesta página (pelo menos não li em outro lugar): o Iraque está abrigando gente da al-Qaeda. (veja nota nesta página sob o título:"A Espada Nuclear de Saddam")



Fonte deste jornalista no Oriente Médio já havia passado no começo da semana relatórios produzidos tendo como base os informes do serviço secreto israelense. Segundo eles, Saddam estaria acobertando terroristas em Ansar al-Islam. Esta região é muito próxima do local onde Saddam atacou a população curda com agentes químicos durante a guerra contra o Irã no início dos 80.



As informações foram ratificadas pelos depoimentos dos terroristas já presos e que vêm sendo interrogados. O que a imprensa, pelo menos a local, ainda não mencionou foi outro tipo de informação tirada deles. Soube-se, a partir dos interrogatórios, por exemplo, que há uma rigorosa compartimentação, muito hermética, fazendo com que os integrantes da al-Qaeda só tenham contato com células imediatamente inferiores, sabendo do pessoal de cima apenas o nome do comandante.



Além disso, o planejamento de um ataque terrorista é feito por diferentes grupos desde o mais alto nível ideológico até as lideranças operacionais. Os atentatos contra as embaixadas no leste da África, o que atingiu o UUS Cole no Àden e os ataques de 11 de setembro seguiram este padrão.



Mas voltando a Saddam e seus vínculos com a al-Qaeda, a questão agora, a meu ver, não é mais especular se a relação existe de fato. Para os serviços secretos e para a Casa Branca isso é algo absolutamente claro. Só não é para boa parte da imprensa e para analistas notadamente anti-Bush. Eles têm larga penetração na mídia mundial a partir da reprodução de artigos e notas do NYT e do The Washington Post, principalmente.



Já disse também em nota anterior que é capaz de essa gente sequer acreditar em imagens de um iraquiano com a boca na botija. Vão dizer que é montagem. Enfim, eles nunca admitirão a necessidade de abater Saddam.



Conversando hoje com Nahum Sirotsky que voltou ao Rio depois de dois dias em São Paulo, ele me dizia exatamente isso. Ele está impressionado com a parcialidade da nossa mídia, completamente pró-árabe e antiamericana ao extremo. Enquanto eu sou a favor da guerra contra o Iraque, Nahum é contra, mas sabe que alguém precisa botar um freio em Saddam. E não será a ONU quem conseguirá fazer isso, como imaginam os mais puros.



Hoje em O Globo, seus editores resolveram dar destaque justamente aos editoriais contra Bush dos dois jornalões da costa leste. É a mídia sendo notícia para a própria mídia. Que importância podem ter os dois jornais, francamente anti-Bush e o que escrevem neles seus editorialistas, para mim é um mistério. Mas o jornalista brasileiro adora falar de outro jornalista e acham que isso interessa ao leitor. Claro que se os editoriais dos dois jornais fossem a favor de Bush, boa parte da imprensa local os teria ignorado.



A polêmica levantada no Senado e motivo dos editoriais, aliás, não é séria e foi contextualizada para favorecer os democratas. (Leia mais detalhes no OFFMIDIA.COM em matéria da correspondente Milla Kette.) Mas essa é outra história.


 
quinta-feira, setembro 26
  LEIA NESTA SEXTA NO OFFMIDIA

Milla Kette, nossa correspondente nos EUA, comenta as gracinhas do Washington Post e do democrata Tom Daschle em torno da última falsa polêmica no Senado americano. Não é preciso dizer que a imprensa brasileira entrou em mais uma roubada....

 
  Veja e o PT que ela quer

Como a maioria já sabe, Veja dedicou sua reportagem de capa desta semana ao Lula. Em manchete, sob o desenho de uma imensa estrela do PT vestida com a faixa presidencial, a pergunta: “O PT está preparado para a Presidência?”


Não se sabe se a revista tomou para si a responsabilidade de responder o que perguntou. Seja como for, o leitor é levado pelo texto da reportagem a acreditar que sim, o PT está preparado para a Presidência pois, em resumo, é um partido moderado, amadurecido e que conseguiu abafar suas vozes mais radicais.


Em que pese Veja ter ouvido analistas a respeito da questão que levantou em sua capa, um painel plural, claro, o posicionamento da revista, favorável ao PT, em vários momentos se contradiz. Várias vezes justamente sobre o tal amadurecimento do partido. O melhor a fazer é pinçar algumas frases do corpo da reportagem, aqueles momentos do texto em que é o redator ou repórter opinando ou interpretando os fatos. Logo abaixo de cada frase, coloquei um comentário meu em negrito.



”É cada vez menor o número de pessoas que duvidam dos compromissos democráticos do PT e de seu candidato à Presidência”.


A expressão não deixa de ser correta e ela tem a ver com o descaso e silêncio da própria mídia em relação aos vínculos do PT com Fidel Castro, Chávez e a China. Mesmo assim, é um chute afirmar isso pois o número de pessoas que desconfia do PT ainda é muito grande. Não fosse isso e Lula tinha 80% das intenções de voto.



”Todo mundo reconhece, a começar pelo próprio Lula, que o Brasil e o PT amadureceram”


”Todo mundo reconhece”? Que o Lula diga isso está bem, é do interesse dele afirmar isso. Mas “todo mundo”? Se compromisso com a Democracia representa amadurecimento, então a expressão acima de Veja está errada, pois ela afirma que é cada vez menor o número de pessoas que não reconhece isso. Invertendo-se a questão, o número supostamente majoritário virou “todo mundo”. Afinal, ainda tem gente que desconfia do PT ou todo mundo confia nele?


“É ingênuo imaginar que, dono de quase 40% das preferências eleitorais, e de uma história ética impecável, Lula tenha emprestado seu antigo carisma e sua afabilidade e civilidade recém-adquiridas a uma gigantesca encenação. É possível mas não provável”.


Aqui a revista está dizendo que todos os que não acreditam no PT e no que diz Lula nesta campanha são ingênuos. E que carisma, afabilidade e civilidade podem ser obtidas assim, da noite para o dia? São coisas que podem ser “recém-adquiridas”? O sujeito vai dormir um bruto e acorda um lorde?


”...a migração do PT de Lula para a raia central da piscina ideológica começou em 1995.”


Aqui é a revista a ingênua (ou cínica). Achar que o PT está virando um partido de centro-esquerda é ignorar ou ocultar as relações e vínculos do partido com as principais forças comunistas e socialistas do mundo. É omitir a existência do Foro de São Paulo, ambiente por onde caminham juntos Lula e seu ídolo, Fidel Castro e sob o qual congregam-se as Farc.


Se Lula mudou, amadureceu, segundo Veja, por que ele é capaz de dizer frases como a pronunciada em encontro com representantes do MST e publicadas pela própria revista e que, em outras palavras, diz que a atual moderação é “necessidade de campanha?”


Temos aqui um caso curioso. A reportagem da veterana publicação da editora Abril diz uma coisa mas ao mesmo tempo revela lapsos que a contradizem. No mesmo texto que prega a transformação de Lula num defensor intransigente da Democracia, a revista lembra que há três anos o PT reafirmou sua crença no socialismo. “Em maio do ano seguinte Lula dizia que o PT estava mais socialista do que nunca”, diz a reportagem


Como podemos ver, Veja não tem a resposta para a pergunta que ela formulou em sua capa. O que ela revela mesmo é sua ambiguidade em relação ao tema. Ambiguidade, porém, muito generosa com Lula.

 
quarta-feira, setembro 25
  LEIA NESTA QUINTA EM WWW.OFFMIDIA.COM

João Pedro Jacques comenta a incrível matéria do correspondente de O Globo nos Estados Unidos que prevê o futuro e ainda trabalha como porta-voz de Saddam. Leia também, do mesmo colunista, crítica imperdível sobre o correspondente da CBN na China e as asneiras que ele andou transmitindo para os ouvintes-vítimas da rádio do Sarnenberg e do Marco Malaurélio




 
  O Código Carmim

Tenho notado nos últimos dias um espaço não ocupado nos jornalões por notícias a respeito de como os israelenses estão se preparando para a guerra. Exceto pelos boletins do Nahum Sirotsky, disponíveis no Último Segundo do IG, agora ele está em férias no Brasil mas continua escrevendo, é raro ler algo que nos dê a dimensão da coisa entre os apreensivos alvos de Saddam Hussein na Terra Santa.


As informações que tenho a respeito do assunto e que partilho com os leitores desta página também não são lá grande coisa, mas comparando-se com o que temos ultimamente até que são boas.


O que sei (e se alguém tiver lido isso em algum jornal me avise pois não quero cometer injustiças com os nossos editores) é que Israel já andou organizando um treinamento sigiloso com os principais líderes do país e com seus serviços fundamentais de defesa sob o Crimson Code, o Código Carmim. Se acionado, significará que Israel estará sob ataque atômico, biológico ou químico. É o pior cenário imaginado cuja prevenção é essencial para preservar a população. Kits de máscaras contra gases estão também sendo atualizados junto com pílulas de Lugol que aumentam a produção de iodo do organismo, elemento eficaz contra determinado nível de radioatividade. Além disso, a vacinação contra a varíola já deverá ter começado.


Sabe-se também que o sistema de defesa antiaéreo e antimísseis trabalha atualmente com o Código Laranja, o que significa prontidão absoluta 24 horas. A convocação para a guerra se dá sob o código Vermelho. Já o código imedidatamente anterior ao Carmim é o Púrpura, o que prescreve ataque iminente.


Os israelenses têm um histórico de escaramuças farto com o Iraque e estão loucos para acertar algumas contas. Basta lembrar que o Iraque participou de todas as campanhas militares dos árabes contra Tel Aviv desde 1967 e 1973 quando lançaram forças expedicionárias para a terra de Moshe Dayan.


Por sua vez, Israel já tentou destruir a Base Aérea H-3 do Iraque em 67 depois que os iraquianos bombardearam a Base de Meggido em Israel. Em 81 os judeus conseguiram fazer explodir um reator atômico prestes a entrar em operação no sul do Iraque.


Mas o que apavorou mesmo Israel foram os Scud lançados em 91 do Iraque, só imobilizados pelas forças especiais britânicas que conseguiram rastrear os lançadores móveis de Saddam. Israel é até hoje imensamente grato aos britânicos pela ajuda.


 
  ANTIAMERICANISMO INFINITO

A Espada Nuclear de Saddam

O Dossiê Blair sobre a escalada nuclear, química e biológica do Iraque, como o previsto, não sensibilizou a imprensa mundial. No Brasil, a Folha de hoje trata o tema com certa ironia e O Globo tratou logo de ouvir especialistas obviamente pró-Saddam. Do jeito que a coisa está, nem mesmo imagens dos laboratórios de Saddam com um sujeito lá sendo flagrado manipulando um Anthrax qualquer serão capazes de convencer a mídia da necessidade urgente de removê-lo do poder. A verdade é uma só: faça o que fizer Saddam, ele sempre terá o apoio da mídia esquerdista em todos os cantos do planeta.


Se estivessem mesmo dispostos a trabalhar com isenção e imparcialidade, os jornalistas brasileiros, por exemplo, poderiam investigar o que realmente tem Hussein em seu território. Eu, que não trabalho em redação nenhuma, não tenho 10% da estrutura que tem um repórter da Folha e de O Globo, consegui obter um material produzido em Israel e que relata em detalhes o tamanho e a qualidade do arsenal iraquiano. Veja abaixo um resumo dele. A menos que eu esteja enganado, e espero francamente estar, vocês não irão ler isso nos jornais brasileiros:


Depois dos episódios de 1991, diante de seu desempenho pífio na guerra do Golfo, o líder iraquinao resolveu pedir ajuda no meio da bandidagem internacional. Foi quando encontrou ex-integrantes das forças especiais soviéticas, gente desempregada e com muita vontade de vender o conhecimento para algum maluco como Saddam. Assim, com o que restou das Spetnaz Special Forces, o ditador simplesmente reconstruiu suas forças de inteligência nilitar, dando nova motivação aos seus subordinados.


Além da organização convencional de suas forças armadas, o Iraque atualmente dispõe de uma divisão especial de Infantaria Motorizada da Guarda Republicana e uma brigada especial de boinas-verdes. Mas o que realmente preocupa os serviços de segurança ocidentais e de Israel, entretanto, são três grupos que operam com mais independência geográfica e cuja letalidade pode se revelar muito maior que as forças convencionais descritas acima.


O primeiro dos grupos especiais é o chamado Nuclear Sword, constituído por 50 membros que são movimentados constantemente entre células. É composto palestinos de campos de refugiados do Líbano e por agentes secretos infiltrados nos EUA e na Inglaterra. Segundo o serviço secreto judeu, este pessoal tem em seu poder três artefatos nucleares de 12 kilotons, transportáveis em furgões e vans. Estes artefatos, bem escondidos, podem ser acionados por voluntários suicidas.


O segundo grupo é compostos pelos Homens do Sacrifício. Tropas de 30 a 40 mil fanáticos sob comando de um dos filhos de Saddam, Uday. Sua missão é óbvia. Ataques suicidas inesperados. Boa parte do grupo é da cidade natal de Tikrit e possui blindados, companhias de comunicação e pelotõesespeciais de guerra química e biológica. Há quem garanta que o grupo fala bem o inglês, o persa e o hebraico. Alguns componentes estariam presentes na guerrilha do Hezbollah e na Cisjordânia.


O terceiro grupo são as Brigadas de Mísseis Al-Hussein, sob rigoroso controle de Saddam. Pelo menos um lançador de míssel permanece 24 horas operacional mas todos podem ser montados facilmente em poucos minutos. Cada um teria a capacidade de transportar uma ogiva de uma tonela comalcance de 650 quilômetros. Clandestinamente, Saddam expandiu a capacidade destes mísseis, aumentando em dez vezes a efetividade do armamento, comparando-o com o mesmo em 91.


Como se tudo isso não bastasse, sabe-se que a região de Ansar al-Islam, no norte do Iraque, virou ponto de encontro do pessoal da Al-Qaeda, desta vez com apoio explícito de iranianos, loucos também para ver a coisa pegar fogo. As informações dizem que os membros do Al-Qaeda por lá andam experimentando novos armamentos para dispersão de agentes químicos. Parece que os ataques a uma sinagoga em Túnis, recentemente, são obra de gente que está em Ansar al-Islam.


Portanto, fica a seu critério leitor, acreditar nas informações dos serviços secretos do Oriente Médio ou nas informações prestadas pelos jornais brasileiros e de boa parte do mundo acerca da inofensividade ou não do Iraque. Eu já fiz minha opção. Fico com as primeiras.


 
terça-feira, setembro 24
  Deus salve a América do Sul

Acredito que um razoável número de brasileiros mais esclarecidos tem a certeza de que a eleição do PT irá representar um recuo institucional de viés marxista. È verdade que com Lula, estaremos mais próximos do que nunca da Venezuela de Chávez, da Cuba de Fidel e da Colômbia das Farc.


Acontece que a eleição do PT, a meu ver, irá acelerar na verdade um processo revolucionário paulatino, feito sem rupturas evidentes e já iniciado em 1994 com a eleição de FHC (e reforçado com sua reeleição em 98.) Muita coisa prova o que falo. Os livros da rede pública de Ensino, por exemplo, o fortalecimento do MST, o programa milionário de indenizações às supostas vítimas do regime militar (aliás, aumentam os “indenizáveis” todos os dias), o enfraquecimento das Forças Armadas e por aí afora...


Sendo assim, é sem surpresa que leio na coluna do jornalista Marcio Moreira Alves (uma espécie de embaixador de Cuba na mídia brasileira) que vai até o dia 6 a exposição sobre a vida de Carlos Marighella no Museu da República no Rio. Marighella foi um dos mais cruéis e sanguinários guerrilheiros urbanos do país, fundador da ALN e responsável direta e indiretamente pela morte de dezenas de pessoas, não apenas militares.


O evento é patrocinado pelo Ministério da Cultura tucano, pelo Arquivo Público e pelo Instituto do Patrimônio Histórico. Vem sendo e será visitado por milhares de crianças e adolescentes da rede pública e privada de ensino que aprenderão de seus professores que Marighella foi um herói revolucionário, covardemente assassinado pelas forças reacionárias e truculentas do regime militar. Parece exagero, mas não é. Assim está sendo escrita a história mais recente do país.


Me pergunto, portanto, se o PT irá mesmo significar uma guinada à esquerda diante do que já realizou o atual governo. Talvez ela se realize mais no plano externo do que internamente. Não sei. Seja como for, com ou sem Lula, trata-se da continuidade de uma longa marcha rumo ao comunismo tropical. Como diz o Ney Matogrosso no refrão daquela música, “Deus salve a América do Sul.....”


 
  Confinamento da Informação

Jornalistas do Rio e de SP criam sua própria Mukata

A Mukata é o lugar conhecido como o QG da Autoridade Palestina em Ramallah. Enquanto escrevo, estão lá, confinados, Arafat e o coronel Tawfik Tirawi, comandante do Serviço Geral de Inteligência e homem ligado às Brigadas de Mártires Al-Aqsa da Fatah, bem como à Força 17, a chamada guarda presidencial do líder palestino.



As relações destes líderes palestinos com o terrorismo e com Saddam Hussein vêm sendo sistematicamente omitidas por uma considerável parte da imprensa brasileira, mais ocupada em replicar artigos anti-Bush publicados originalmente no NYT e afins. Assim, pode-se dizer que os jornalistas do eixo Rio-São Paulo criaram a sua própria Mukata e o pior é que nela há espaço para milhares de seus leitores que deles dependem para saber o que acontece no mundo.



Este autoconfinamento da informação tem como efeito a transformação do leitor brasileiro no cidadão menos informado do mundo, equiparando-o a um camponês da Moldávia, a um operário norte-coreano ou a um estudante cubano. Mais recentemente, a propaganda anti-Bush vem criando interpretações absurdas, como a de que o presidente dos Estados Unidos age por mera vaidade e ganância de poder.



Como diz uma fonte especialista em Casa Branca, George Bush e o establishment de defesa não seriam inconseqüentes de levar o país a uma guerra difícil, pelas condições que se apresentam, por uma simples questão de veleidades pessoais. Os indícios de que uma ameaça, muito mais séria do que as que são veiculadas ou especuladas pela imprensa, está em andamento levam a esta conclusão simples. O temor de um ataque com armas não convencionais infiltradas na América é somente um elemento das possibilidades que começam a surgir. E isso o brasileiro não sabe. Vamos voltar ao tema mais adiante.


 
  Vem aí o Vulcan Fire

Mais notas sobre a Guerra

Enquanto os jornalões brasileiros continuam sua cobertura protocolar e desinteressante sobre os eventos no Hemisfério Norte, mais precisamente entre os Estados Unidos e o Iraque, algumas informações baseadas em fontes exclusivas deste jornalista são necessárias para se entender o que ocorre além das páginas do NYT, a maior e principal referência da imprensa daqui.



Os Estados Unidos estão convencidos de que uma ação rápida e em profundidade no território iraquiano pode liquidar Saddam e seus principais assessores, dando espaço para a imediata ocupação dos seus opositores através de um golpe de estado. Para isso, contam com três contingentes de forças especiais, uma delas americana e as outras britânica e israelense.



Os grupos estão equipados com armamentos modernos e ainda desconhecidos, especialmente desenvolvidos para esta missão. Um programa fundamental agora parece ser o “Vulcan Fire”, destinado a localizar e destruir estoques de armas biológicas ou químicas, utilizando um processo termo-corrosivo, adaptado para operações especiais de comandos.



A arma libera uma grande quantidade de calor que atinge cerca de 540º centígrados e além de, literalmente, queimar os componentes das armas químicas e biológicas, cria uma pressão que impede que aqueles agentes sejam ejetados pela detonação e dispersos na atmosfera. Num segundo estágio é espargido um gás desinfetante que destrói os agentes remanescentes.



Os contingentes de forças especiais seriam infiltrados na primeira fase de um ataque aéreo maciço e, auxiliados e orientados por sensores de Veículos Aéreos Não-Tripulados, marcadores-laser, sinais de satélites e outras aeronaves de aquisição de alvos, tentariam cumprir esta missão dificílima e arriscada no coração do Iraque.



Especula-se é claro, quando tudo isso começará a ser usado. Se os Estados Unidos deixarem passar a segunda Lula Nova, em 4 de novembro, quando começa o Ramadã, o mais provável é que Bush repita o pai e ataque Saddam em janeiro, como aconteceu em 91. O respeito ao mês sagrado dos muçulmanos nada tem a ver com os iraquianos e sim com os importantes aliados de Washington, como Kuwait, a Jordânia, o Catar e a Arábia Saudita. Com este pessoal jejuando, é melhor esperar.


 
segunda-feira, setembro 23
  O Dilema Pavloviano

Adriana Pavlova e sua Operação Condor

Todas as vezes em que leio absurdos em textos e reportagens na grande imprensa brasileira, procuro acreditar que o seu autor é um jornalista apenas mal-informado, ingênuo ou somente coerente com algo que lhe disseram ser verdade e que, não tendo os meios necessários para obter sozinho a prova daquilo, prefere entregar-se à versão dos fatos recém-adquirida em contato com os colegas mais velhos de redação.


Obviamente, esta percepção não se aplica a jornalistas como um Luis Fernando Veríssimo ou um Márcio Moreira Alves. Quando um destes dois, apenas para citar exemplos, escreve alguma asneira ou mentira, sabemos que estão apenas cumprindo o dever de desinformar os leitores voluntariamente.


Portanto, prefiro enquadrar a jornalista Adriana Pavlova de O Globo, no grupo dos ingênuos, correndo eu mesmo o risco da ingenuidade. Ela é autora da reportagem publicada hoje no Segundo Caderno do jornal, dedicado aos assuntos mais fúteis do cotidiano. O tema é o documentário realizado por Roberto Mader com recursos da Fundação Ford (notem bem este detalhe) sobre os efeitos da Operação Condor, o esquema de ajuda mútua entre os governos militares do continente em luta contra a oposição revolucionária marxista que nos anos 70 desafiou, armada, os regimes então autoritários.


Geralmente, quando assuntos como esse são tratados pela imprensa, os jornalistas parecem não conseguir o distanciamento fundamental para ouvir suas fontes e entrevistados de maneira isenta e fria, com um mínimo de crítica que dá o tempero e que torna as reportagens um painel em que caberá ao leitor, em última análise, tirar suas conclusões. Com Adriana Pavlova não foi diferente.


A repórter deveria saber que a Operação Condor, por exemplo, foi um esforço das ditaduras em sufocar não um bando de jovens que brincavam de Revolução mas em vencer vários grupos de guerrilheiros fortemente armados e dispostos a tudo para removê-las e, em seu lugar, instaurar outra ditadura, de viés marxista e com apoio da União Soviética, China e Cuba. Aliás, Adriana Pavlova deveria saber também, afinal, ela é uma jornalista, que os regimes comunistas e seus serviços secretos também tiveram suas operações destinadas a desestabilizar os governos que procuravam destruir.


Mas o jornalista brasileiro, salvo exceções de praxe, não consegue escapar do terrível pêndulo que o conduz entre a ingenuidade e o cinismo sem dar-lhe a chance de mostrar aos leitores que não é nem uma coisa nem outra. Enquanto estiver a maioria deles tratando assuntos da História recente de seu país de forma parcial e desonesta, continuarão todos reféns do julgamento dos leitores mais informados e mais capazes do que eles mesmos para relatar, analisar e interpretar determinados fatos.


Quanto ao Roberto Mader, o documentarista que remexe “nos anos de chumbo”, a História já lhe reservou lugar entre os que têm como missão manipular os fatos. Ele será lembrado apenas como mais um artista a serviço da mentira.
 

  Da série Conversas para Boi Dormir

Zé Dirceu: o herói de Veja foi apenas um galã comedor

Desculpem os leitores pelo tom chulo do título desta nota mas não há outra expressão que melhor possa resumir o perfil realizado pela revista Veja desta semana do presidente do PT, José Dirceu. A edição chegou neste final de semana às bancas, é a de número 1770 e em sua capa traz uma imensa estrela do PT vestida com uma faixa presidencial e a manchete que pergunta: “O PT está preparado para a Presidência?”



Guidalli.com irá comentar nos próximos dias com mais detalhes a reportagem de capa de Veja mas o que interessa aqui neste momento é falar sobre o perfil elaborado por Thaís Oyama e João Gabriel de Lima do ex-agente secreto a serviço de Cuba, onde estudou táticas de guerrilha no final dos anos 60 e de onde retornou ao Brasil para dirigir o Molipo, uma das organizações terroristas em atividade durante o governo militar e que lutava para instaurar um regime marxista no país.



O perfil de Zé Dirceu feito pelos repórteres de Veja está baseado numa verdade e em duas mentiras. A verdade, que serve para glamourizar a vida do principal dirigente do PT, é a que conta como o herói de Veja foi um comedor incorrigível, que usava suas namoradas para escapar da polícia, exercia enorme poder de sedução com sua bela estampa (depois deformada em Cuba) e jeito de revolucionário o que, na época, fazia o tipo preferido das mocinhas que acompanhavam os festivais de música, pregavam o amor livre e fumavam muito baseado.



Até aí, nada demais. Era bem provável mesmo que Zé Dirceu namorasse com facilidade. Os problemas da reportagem começam quando utilizam como verdade aspectos, episódios e lembranças absolutamente mentirosos ou muito mal explicados da vida do amigop de Fidel e principal conselheiro de Lula.



O texto diz, antes de mais nada, que José Dirceu representa a “voz moderada” do PT. Esta é a primeira mentira. O homem que há pouco tempo recomendava aos professores da rede pública de São Paulo que batessem literalmente no ex-governador tucano Mário Covas (fato explorado nos últimos dias pela campanha de Serra na TV) e que pregava dois anos atrás o calote no pagamento da dívida externa, é apontado por Veja como um articulador de bastidores capaz de expurgar as alas mais radicais do petismo e de levar o partido a fazer alianças que hoje podem garantir sua vitória. Esqueceu a publicação de dizer o que faz o PT do “moderado” Dirceu ao lado de Fidel Castro e das FARC no âmbito do Foro de São Paulo, a entidade criada por comunistas e terroristas para estimular e fomentar revoluções na América Latina.



Para Veja, ao contrário, absolutamente nada lembra no atual deputado a figura de revolucionário “do passado”. Sua passagem pelo serviço secreto de Cuba, o treinamento que lá fez e a cirurgia plástica que alterou seu rosto não devem ser levados à sério, é o que sugere a revista. Aqui está a segunda mentira. O próprio Dirceu desconversa: “Eu era contra esta clandestinidade forçada, era contra o movimento estudantil mandar quadros para a guerrilha...nem sabia sobre esses grupos, tanto que minha primeira prisão foi um espanto para mim.”



Ou em outro trecho: "Treinei guerrilha sim, mas não gostava daquilo, não me envolvi, não era a minha"



Resta a pergunta: que raios fez então José Dirceu fazer o que fez? Quem o forçou a realizar ato tão contrário às suas convicções? O que leva alguém que diz ser contra a clandestinidade a mudar de rosto? Veja vai além. Seus repórteres convenceram-se de que Dirceu era apenas “um boêmio inofensivo e namorador”. “Era mesmo”, afirma o texto, logo apegando-se a mais um episódio da vida de comedor de seu herói.



Com uma verdade e duas mentiras, portanto, a revista dos Civita realizou um generoso perfil para o homem que provavelmente irá mandar de fato no país caso o PT ganhe mesmo as eleições. O homem que mudou de cara e de documentos, cuja mulher descobriu sua verdadeira identidade quando o filho de ambos já tinha mais de um ano de idade e que depois da anistia a descartou, era um inocente militante que gostava de brincar de agente secreto e que hoje é um exemplo de moderação e inteligência à serviço da democracia.



Veja também esqueceu um belo episódio da vida de seu herói: a indenização milionária que buscou e levou para si do governo FHC, fato que o torna oficialmente uma vítima do regime militar com direito a obter na Democracia contra a qual lutou boa parte de sua vida. Mas uma farsa a mais ou a menos para a biografia do herói de Veja já não faz muita diferença. Ninguém mais conseguirá perceber seu disfarce, muito menos os jornalistas da revista.


 
Felix qui potuit rerum cognoscere causas

e-mail - guidalli@gmail.com

Editor: Sandro Guidalli

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