(Do DebkaFiles - ) Nada como dois ou três Husseins mortos para elevar o moral das tropas americanas no Iraque e o número de informantes iraquianos em busca de Saddam. A esta altura, muitas das vítimas do ex-ditador já ousam acreditar que ele será o próximo.
Não que todos no Iraque estejam felizes com a morte da dupla do terror. Nove soldados americanos morreram e cinco ficaram feridos na última semana, em ataques atribuídos à que se convencionou chamar de resistência "não-identificada" para não ferir sensibilidades várias. Em artigo de 12 de julho, o DEBKAfile explicava essa resistência como uma união de forças da Guarda Especial Republicana, Fedayeen suicidas, milicianos baathistas e os milhares de combatentes sírios que não param de chegar ao Iraque desde abril. Desorganizada no início e limitada a atos de sabotagem em instalações petrolíferas, os grupos de resistência perceberam logo que a retirada precoce das melhores unidades de combate dos EUA abria uma brecha para atentados contra veículos militares com armas de pequeno porte e lança-granadas. No final de maio, centros de comando locais administravam a escalada da guerra de guerrilha, com dois objetivos bem claros: afetar o ânimo das tropas americanas e mantê-las afastadas da região compreendida entre Samarra e Tikrit, principalmente das fortalezas subterrâneas construídas na área por Saddam, cuja volta ao Iraque começava a ser objeto de especulações.
Entre doze e quatorze mil soldados dirigiram-se para o enclave, atraídos por fortes rumores de que Saddam e filhos estavam reconstruindo o exército iraquiano pelo dobro do soldo pago antes da guerra. Os ataques às tropas americanas se intensificaram, e Washington reconheceu que a situação exigia a volta das unidades de elite. O governo americano ainda levaria um mês para anunciar a meia voz que suas tropas enfrentam uma guerrilha de verdade. Mesmo assim, quem admitiu o fato não foi o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, mas o novo comandante militar
dos EUA, General John Abizaid.
Na primeira semana de julho, mais exatamente nos dias 4 e 8, surgiram fitas em que a voz de Saddam exortava o povo iraquiano à resistência. A primeira veio a público logo após o anúncio da recompensa de 25 milhões de dólares pela captura de Saddam Hussein e a tempo das comemorações da independência dos Estados Unidos. A quarta fita, que foi ao ar no dia 23, teria sido gravada dois dias antes da morte de Qusay e Uday. Mas o sentido dramático do ex-ditador ficou evidente na terceira, divulgada no dia 17, feriado nacional em celebração dos 35 anos da tomada do poder pelo Baath. Para o DEBKAfile, o timing dessa terceira gravação foi perfeito: Blair visitava Bush, a BBC criava o caso David Kelly [1], a mídia americana creditava a Bush bem mais do que as dezesseis palavras pronunciadas na famosa frase [2], os Estados Unidos enfim davam posse aos vinte e cinco membros do Conselho de Governo do Iraque, e este, por sua vez, acabava de extinguir o feriado do Baath. A voz na gravação homenageou o partido e acusou Blair e Bush de mentirem sobre as armas de destruição em massa.
A voz também não poupou o conselho, de maneira injusta, pois fontes do DEBKAfile asseguram que iraquianos leais ao antigo regime conseguiram infiltrar agentes no novo governo, até mesmo junto a conselheiros indicados pelos americanos. Mais de um membro importante do CGI mantém contatos clandestinos com os aliados de Saddam. A composição do conselho reflete a população do país: são quinze shiítas, quatro curdos, representantes do Hezbollah do Iraque, da Irmandade Muçulmana, das comunidades assíria e turcomana, além de um delegado do partido comunista. Embora os sunitas tenham assento reservado no CGI, sua indicação agora só os tornaria um alvo fácil para os assassinos de Saddam. Antes de convocá-los, o governador Paul Brenner prefere garantir a derrota da resistência armada e a estabilização da região central do país, onde eles se concentram.
Bush, entretanto, não tem tempo a perder, visto que a guerrilha não dará trégua tão cedo, analisa o DEBKAfile. O grande resultado da operação americana executada em Mosul não será eliminar a resistência, mas impedir que os comandos locais se convertam em unidades regionais, capazes de ações maiores, mais violentas e melhor coordenadas. A brutalidade do psicopata Uday e o gosto legendário de Qusay por genocídios marcaram para sempre a memória do povo iraquiano, e não será fácil encontrar guerrilheiros dispostos a vingá-los em grande escala.
Quanto à sucessão, o terceiro filho de Saddam, Ali, foi mantido à distância pelo rancor de seus dois irmãos. Vive há anos na Síria com a mãe, Samira Shahbandar, e desapareceu de cena quando a guerra eclodiu. É provável que Ali ainda esteja na Síria, mas também pode ter ido se juntar ao pai em algum lugar do Iraque. A tentação de preencher o vazio sucessório pode ser simplesmente irresistível para Saddam Hussein.
TRADUÇÃO - MÁRCIA LEAL
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A partir da QUINTA-FEIRA, 20 DE FEVEREIRO, todo o conteúdo a ser publicado neste blog estará sendo veiculado no site Midia Sem Máscara, pois esta página estará sendo desabilitada. Sandro Guidalli e Paulo Leite irão concentrar seus artigos e comentários lá e também continuarão sendo acessados no Offmidia.
Convidamos a todos os leitores, que nos dão a honra de suas visitas nesta página diariamente, a visitar este dois sites acima mencionados a partir então da data já anunciada. Esperamos vocês todos lá. Muito obrigado pela audiência.
Atenciosamente,
Sandro Guidalli e Paulo Leite
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Parada Difícil
No mais recente programa de debates da Band exibido aos domingos à noite e apresentado por Marcia Peltier, o antiamericanismo dos nossos coleguinhas teve farto banquete. A vítima foi o cientista político da USP, Braz de Araújo (acredito ser este o nome dele) que defendia a postura de Bush contra Saddam com argumentos incontornáveis.
Num dado momento da discussão com os jornalistas, sobre o papel da ONU sob exame com a decisão da entidade global de poupar Saddam ao limite, Marcelo Parada argumentou dizendo que, com uma ONU enfraquecida, os EUA poderiam muito bem um dia achar que estão livres para invadir a Amazônia já que, pela lógica turva do jornalista, nada poderia impedí-los.
O senhor Parada esquece que, em primeiro lugar, é justamente a ONU quem tem os maiores interesses em influenciar a região amazônica. Não recordou também que, dentre as centenas de ONGs atuando no Brasil, pouquíssimas tem sede nos EUA ou estão sob influência da Casa Branca. Por lá abundam, isso sim, ambientalistas e ecochatos de toda a Europa, mais notadamente belgas, franceses, escandinavos e alemães, a maioria atuando globalmente e com o apoio das Nações Unidas e suas fundações de "amparo" às políticas sociais e de meio-ambiente para o terceiro-mundo.
Um livro fundamental sobre o assunto, aliás, é "A Farsa Ianomâmi", de Carlos Alberto Menna Barreto, da Biblioteca do Exército Editora. Estão todos explicados lá, a começar pelas entidades que defendem a ampliação cada vez maior das reservas indígenas a fim de engessar definitivamente o progresso da região amazônica. Ao contrário do que pode pensar o sr. Parada, eventuais pressões da Casa Branca para controlar a maior floresta equatorial do mundo não chegariam perto do imenso lobby de fundações e organismos internacionais, os mesmos que abominam as forças conservadoras americanas ora no poder.
Apenas o enunciado de tal hipótese, essa, formulada pelo sr. Parada na Band, seria suficiente para sair do estúdio às gargalhadas não fosse o seu interlocutor, homem cordial, ter evitado a chacota fazendo de conta que não ouvira tal disparate. E assim caminha o jornalismo brasileiro..
O JN entre o PT e as FARC. Aqui
JN, as Farc e Lula
Recebi o seguinte e-mail de um leitor sobre a edição desta sexta-feira do Jornal Nacional:
Prezado Sandro,
Hoje (sexta) o Jornal Nacional da Globo produziu um peça fantástica de propaganda diversionista no descarado intuito de varrer para de baixo do tapete situação que, de outro modo, se configuraria a todos como um verdadeiro escândalo. Explico, o jornal noticiou que o governo colombiano desbaratou um atentado terrorista contra a vida do presidente Uribe, que seria perpetrado pelas FARC, amanhã durante uma visita a uma localidade de seu país. Tal atentado consisitiria em derrubar o avião do presidente, e, no processo, matando todos os demais que desafortunadamente o acompnhassem, claro. Ao que parece, pois a notícia foi bastante rápida e concisa, os narcoterroristas conseguiram explodir a casa que lhes servia de paiol vitimando fatalmente em torno de 15 pessoas, com certeza para apagar os rastros de seu fracassado intento ante a descoberta do plano pelas forças de segurança em preparo da visita do presidente.
Esta notícia em si é a penas mais um exemplo cabal da falta de qualquer princípio moral, ético ou humanitário de um grupo terrorista que já "justiçou" até civis refugiados em igreja. Mas o escândalo maior ainda estava por vir. Após alguns minutos da exibição desta matéria, eis que o JN retorna ao assunto Colombia para dizer que o presidente Lula escreveu ao secretário geral da ONU pedindo intermediação no conflito Colombiano para uma solução pacífica entre todas as partes envolvidas. O crucial aqui foi o intervalo de tempo decorrido entre as duas inserções. Ora, por que será que duas matérias relacionadas exatamente ao mesmo tema, qual seja, o conflito entre governo e narcoguerrilha na Colombia teria necessitado de duas inserções em tempos distintos no noticioso? Pelo óbvio motivo de que a apresentação sequenciada das duas matérias teria feito a conexão fatal, mesmo para as mentes mais entorpecidas, do absurdo em si da iniciativa do presidente do Brasil. Qualquer pessoa mais desatenta teria concluído que o presidente brasileiro considera como parte litigante legítima na Colômbia um grupo terrorista que acabava de planejar matar o presidente de seu país, tendo sido este eleito pela enorme maioria de sua população para dar combate ao flagelo que a narco-guerrilha comunista impinge ao país. É escandalosa e imoral a iniciativa do governo do PT de querer tratar facínoras como uma parte que possa se sentar em uma mesa de negociação com direitos e prerrogativas semelhantes ao de um governo democrático, quando na verdade apenas aos rigores da Lei e da Justiça eles teriam direito.
O JN deliberadamente furtou a imensa maioria da população brasileira a oportunidade de intuir e compreender a imoralidade do ato e o assinte perpetrado contra o povo e o governo colombianos pelo governo brasileiro. Espero, para o bem de todos nós, que o presidente Uribe possa efetivamente ganhar esta guerra.
Leia mais sobre o assunto amanhã em www.midiasemmascara.org
e-mail - guidalli@redel.com.br
Editor: Sandro Guidalli