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Domingo, Agosto 10
  Os Ecochatos, por Alan Neil Ditchfield


Ecologistas não são cientistas; são ativistas políticos com suas próprias agendas de interesses pecuniários, a busca do poder para propósitos nem sempre defensáveis ou confessáveis. Ouvi recentemente, com espanto, a entrevista de representante do movimento Friends of Earth, que condenava com veemência o desmatamento da floresta Amazônica para plantar soja. Ora, seria péssimo negócio derrubar floresta para este fim; o clima da planície amazônica é por demais quente e úmido para cultura de grãos, seu solo não suporta tal atividade, e as pragas são hostis à soja. O tal ecologista talvez ignore em que continente fica o rio Amazonas, mas certamente desconhecia a lavoura sobre o qual estava a falar. Em outra manifestação ecologistas denunciaram a pavimentação de duas rodovias, essenciais ao escoamento de safras produzidas em terras de cerrado do planalto de Mato Grosso do Norte e a construção de um gasoduto para aproveitar reservas de gás natural no oeste da bacia amazônica. São campanhas tão nocivas à coletividade que é hora de investigar, a nível policial ou parlamentar, as possíveis ligações de tais entidades não governamentais com o crime organizado.
Campanhas ecológicas estão a pestear o ambiente como epidemia de amplitude global. Há trinta anos um americano tinha razoável expectativa de ficar fora da cadeia se pautasse sua vida segundo os dez mandamentos. Hoje nem tanto; até a Madre Teresa de Calcutá correria o risco de condenação por crime contra o meio ambiente; sua cidade carece de condições sanitárias. Nos Estados Unidos, neste período, a fúria legiferante sobre o tema trouxe aumento de 50% no número de crimes puníveis com pena de prisão.
Os despropósitos estão a enriquecer o anedotário. Um amigo meu esperou por quase ano pelas formalidades que autorizavam o início de funcionamento de sua firma editora, instalada num canto de seu escritório profissional. Boa parte desta demora passou-se à espera de pronunciamento das autoridades de meio ambiente; após longa deliberação seu douto parecer declarou que firma com o acervo de mesa, cadeira e computador não ofereceria risco à cidade de Curitiba.
O que segue é uma intimação recentemente enviada pelo Departamento de Qualidade Ambiental, do Estado de Michigan, a um homem chamado Ryan DeVries. A resposta do cidadão é gaiata, mas é preciso ler a carta do órgão público para saborear a resposta.

INTIMAÇÃO

ASSUNTO: DEQ Processo No.97-59-0023; T11N; R10W, Setor. 20; Município de Montcalm

Prezado Sr. DeVries:

Chegou ao conhecimento do Departamento de Qualidade Ambiental que houve recente atividade não autorizada na propriedade supracitada. Foi apurado que V.Sa. é o proprietário legal e/ou construtor responsável pela seguinte obra não autorizada:
Construção e manutenção de duas represas com entulho de madeira no sangradouro da Lagoa Spring. É exigida licença prévia para iniciar obra deste tipo. Exame dos arquivos do Departamento mostram que nenhuma licença para tanto foi emitida. O Departamento conclui que esta obra viola o disposto no Artigo 301, Lagos Interiores e Riachos, da Lei 451 de Recursos Naturais e Proteção Ambiental, Atos Públicos de 1994 Seções 324.30101 a 324.30113 publicados no Diário Oficial de Michigan.
O Departamento foi informado de que uma ou ambas represas romperam durante recentes chuvas, causando danos e inundação à jusante das localizações. Achamos que represas desta natureza são inerentemente perigosas e sua construção não deve ser permitida. O Departamento então ordena que V.Sa. cesse e desista de todas as obras nesta localização, e restabeleça o fluxo de águas à condição livre removendo toda a madeira e entulho que formam as represas. Todo o trabalho de restauração deverá ser completado o mais tardar até 31 de janeiro de 2003.
V.Sa. deverá notificar este órgão quando a restauração foi completada para que uma vistoria do local possa ser programada por nosso pessoal. A falta de atendimento a este pedido ou qualquer atividade adicional no local, sem autorização, obrigará encaminhamento deste caso à ação em instância superior.
Apreciaremos sua cooperação plena neste assunto.
Sinta-se à vontade para me contactar neste escritório se tiver qualquer dúvida a esclarecer.
Sinceramente,
David L. Price
Representante Distrital da Divisão de Administração de Terras e Águas

RESPOSTA DO CIDADÃO

Re: DEQ Processo No. 97-59-0023; T11N; R10W, Setor. 20; Município de Montcalm.

Prezado Sr. Price,

Acuso recebimento de sua carta registrada, com data de 17 de dezembro de 2002. Sou o proprietário do terreno mas não o construtor das obras em 2088 Dagget, Pierson, Michigan.
Sem autorização do governo, um casal de castores está a construir e manter duas represas de “entulho de madeira" no sangradouro de minha Lagoa Spring. Porquanto não tenha pago, autorizado, nem supervisionado as obras de represa, penso que os castores ficariam muito ofendidos ao ouvir seu uso hábil de materiais da natureza designado como entulho. Desafio seu departamento a tentar emular seu projeto de represa a qualquer tempo ou em qualquer lugar de sua escolha. Posso seguramente dizer que de nenhum modo V.Sas. poderão igualá-los em sua habilidade em construção, em sua desenvoltura, engenhosidade, persistência, determinação e dedicação ao trabalho.
Sobre seu pedido, não penso que os castores estejam cientes do imperativo de requerer licença antes de iniciar obra de represa. Minha perguntas são: (1) Se V.Sas. estão a discriminar contra castores na minha Lagoa Spring ou (2) Se V.Sas. têm exigido que todos os castores deste Estado façam requerimento de autorização de obra de represa.
Se V.Sas. não estiverem discriminando contra estes castores em particular peço, nos termos da Lei de Liberdade de Informação, cópias completas de todas essas outras licenças de represas de castor já emitidas. Talvez apuraremos se realmente há violação do Artigo 301, Lagos Interiores e Riachos, da Lei 451 de Recursos Naturais e Proteção Ambiental, dos Atos Públicos de 1994 Seções 324.30101 a 324.30113 do Diário Oficial de Michigan.
Tenho várias indagações a fazer. A primeira é se castores têm direito a assistência jurídica. Os castores da Lagoa Spring são indigentes e impossibilitados de pagar por tal representação, assim o Estado terá que lhes proporcionar um advogado de represa. A alegação do Departamento de que uma ou ambas represas ruíram durante recente chuva causando danos e inundação é prova de que esta é uma ocorrência natural que o Departamento tem obrigação de proteger. Em outras palavras, deveríamos deixar em paz os castores da Lagoa Spring , em lugar de os hostilizá-los e desmerecer suas represas.
Se V.Sas. quiserem o curso d’água restabelecido à condição de livre fluxo comuniquem-se com os castores, e possivelmente prendê-los por não estarem atentos à sua intimação, de vez que não podem ler texto em inglês .
Em minha humilde opinião, os castores da Lagoa Spring têm direito a construir represas sem autorização, enquanto o céu for azul, a grama for verde e a água fluir a jusante. Eles têm mais direito do que eu de viver e desfrutar a Lagoa Spring.
Para fazer jus ao nome, o Departamento de Recursos Naturais e Proteção Ambiental deveria zelar pelos recursos naturais (castores) e pelo ambiente (represas de castores). Os castores e eu aguardamos a ação em instância superior. Por que esperar até 31 de dezembro de 2003? Até lá os castores de Lagoa Spring estarão sob o gelo da represa e de nenhum modo V.Sa. ou seu pessoal poderá contactar ou persegui-los.
Para finalizar, eu gostaria de trazer à sua atenção um real problema ambiental (de saúde) na área. São os ursos!
Os ursos estão a defecar em nossos bosques. Creio que V.Sas. deveriam estar perseguindo os ursos defecadores e deixar em paz os castores. Se V.Sas.quiserem vistoriar as represas de castor, devem olhar onde pisam. (Os ursos não escolhem onde defecam).
Estando impossibilitado obedecer seu pedido, e de o contactar via seu sistema automático de atendimento de chamadas telefônicas, encaminho esta resposta a seu escritório.
Agradecidos,
Ryan DeVries & Castores
 
Segunda-feira, Julho 28
 

(Do DebkaFiles - ) Nada como dois ou três Husseins mortos para elevar o moral das tropas americanas no Iraque e o número de informantes iraquianos em busca de Saddam. A esta altura, muitas das vítimas do ex-ditador já ousam acreditar que ele será o próximo.


Não que todos no Iraque estejam felizes com a morte da dupla do terror. Nove soldados americanos morreram e cinco ficaram feridos na última semana, em ataques atribuídos à que se convencionou chamar de resistência "não-identificada" para não ferir sensibilidades várias. Em artigo de 12 de julho, o DEBKAfile explicava essa resistência como uma união de forças da Guarda Especial Republicana, Fedayeen suicidas, milicianos baathistas e os milhares de combatentes sírios que não param de chegar ao Iraque desde abril. Desorganizada no início e limitada a atos de sabotagem em instalações petrolíferas, os grupos de resistência perceberam logo que a retirada precoce das melhores unidades de combate dos EUA abria uma brecha para atentados contra veículos militares com armas de pequeno porte e lança-granadas. No final de maio, centros de comando locais administravam a escalada da guerra de guerrilha, com dois objetivos bem claros: afetar o ânimo das tropas americanas e mantê-las afastadas da região compreendida entre Samarra e Tikrit, principalmente das fortalezas subterrâneas construídas na área por Saddam, cuja volta ao Iraque começava a ser objeto de especulações.


Entre doze e quatorze mil soldados dirigiram-se para o enclave, atraídos por fortes rumores de que Saddam e filhos estavam reconstruindo o exército iraquiano pelo dobro do soldo pago antes da guerra. Os ataques às tropas americanas se intensificaram, e Washington reconheceu que a situação exigia a volta das unidades de elite. O governo americano ainda levaria um mês para anunciar a meia voz que suas tropas enfrentam uma guerrilha de verdade. Mesmo assim, quem admitiu o fato não foi o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, mas o novo comandante militar
dos EUA, General John Abizaid.


Na primeira semana de julho, mais exatamente nos dias 4 e 8, surgiram fitas em que a voz de Saddam exortava o povo iraquiano à resistência. A primeira veio a público logo após o anúncio da recompensa de 25 milhões de dólares pela captura de Saddam Hussein e a tempo das comemorações da independência dos Estados Unidos. A quarta fita, que foi ao ar no dia 23, teria sido gravada dois dias antes da morte de Qusay e Uday. Mas o sentido dramático do ex-ditador ficou evidente na terceira, divulgada no dia 17, feriado nacional em celebração dos 35 anos da tomada do poder pelo Baath. Para o DEBKAfile, o timing dessa terceira gravação foi perfeito: Blair visitava Bush, a BBC criava o caso David Kelly [1], a mídia americana creditava a Bush bem mais do que as dezesseis palavras pronunciadas na famosa frase [2], os Estados Unidos enfim davam posse aos vinte e cinco membros do Conselho de Governo do Iraque, e este, por sua vez, acabava de extinguir o feriado do Baath. A voz na gravação homenageou o partido e acusou Blair e Bush de mentirem sobre as armas de destruição em massa.


A voz também não poupou o conselho, de maneira injusta, pois fontes do DEBKAfile asseguram que iraquianos leais ao antigo regime conseguiram infiltrar agentes no novo governo, até mesmo junto a conselheiros indicados pelos americanos. Mais de um membro importante do CGI mantém contatos clandestinos com os aliados de Saddam. A composição do conselho reflete a população do país: são quinze shiítas, quatro curdos, representantes do Hezbollah do Iraque, da Irmandade Muçulmana, das comunidades assíria e turcomana, além de um delegado do partido comunista. Embora os sunitas tenham assento reservado no CGI, sua indicação agora só os tornaria um alvo fácil para os assassinos de Saddam. Antes de convocá-los, o governador Paul Brenner prefere garantir a derrota da resistência armada e a estabilização da região central do país, onde eles se concentram.



Bush, entretanto, não tem tempo a perder, visto que a guerrilha não dará trégua tão cedo, analisa o DEBKAfile. O grande resultado da operação americana executada em Mosul não será eliminar a resistência, mas impedir que os comandos locais se convertam em unidades regionais, capazes de ações maiores, mais violentas e melhor coordenadas. A brutalidade do psicopata Uday e o gosto legendário de Qusay por genocídios marcaram para sempre a memória do povo iraquiano, e não será fácil encontrar guerrilheiros dispostos a vingá-los em grande escala.



Quanto à sucessão, o terceiro filho de Saddam, Ali, foi mantido à distância pelo rancor de seus dois irmãos. Vive há anos na Síria com a mãe, Samira Shahbandar, e desapareceu de cena quando a guerra eclodiu. É provável que Ali ainda esteja na Síria, mas também pode ter ido se juntar ao pai em algum lugar do Iraque. A tentação de preencher o vazio sucessório pode ser simplesmente irresistível para Saddam Hussein.







TRADUÇÃO - MÁRCIA LEAL

 

Quarta-feira, Fevereiro 19
 

AVISO IMPORTANTE - AVISO IMPORTANTE

Prezados amigos e leitores,

A partir da QUINTA-FEIRA, 20 DE FEVEREIRO, todo o conteúdo a ser publicado neste blog estará sendo veiculado no site Midia Sem Máscara, pois esta página estará sendo desabilitada. Sandro Guidalli e Paulo Leite irão concentrar seus artigos e comentários lá e também continuarão sendo acessados no Offmidia.

Convidamos a todos os leitores, que nos dão a honra de suas visitas nesta página diariamente, a visitar este dois sites acima mencionados a partir então da data já anunciada. Esperamos vocês todos lá. Muito obrigado pela audiência.

Atenciosamente,

Sandro Guidalli e Paulo Leite
Editores

 
Terça-feira, Fevereiro 18
  Quem dá valor à liberdade?
Paulo Leite

Aqueles que se opõem à atitude dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha em relação ao Iraque fariam bem em escutar a presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga: "Nós certamente vimos os resultados do apaziguamento ou, melhor dizendo, a falta de resultados. É muito mais fácil tolerar um ditador quando ele está controlando a vida de outras pessoas, não a sua."

Enquanto esquerdistas norte-americanos e europeus que nunca passaram um dia sequer sob uma ditadura vão às ruas para defender Saddam Hussein, quem conheceu na pele os efeitos da falta de liberdade tem uma opinião bem diferente. Os países que faziam parte da União Soviética ou estavam - contra a vontade de suas populações - na esfera de influência soviética sabem bem que tentar apaziguar regimes tirânicos nunca acaba bem. Por isso, a presidente da Letônia, mesmo sabendo que sua posição pode comprometer os esforços do país para fazer parte da OTAN e da União Européia, está "apoiando totalmente" os Estados Unidos no conflito contra o Iraque.

A Letônia e mais nove países do antigo bloco soviético manifestaram recentemente seu apoio a Washington, juntando-se a Polônia, Hungria e à República Tcheca, ex-países comunistas que já fazem parte da OTAN e que assinaram ao lado da Grã-Bretanha, Espanha, Itália e outros países europeus uma carta de apoio aos Estados Unidos contra o Iraque.

A presidente Vaira Vike-Freiberga, que se encontrou com Bush na segunda-feira, reconhece que seu país está numa situação nada agradável: "eles vão votar em breve nosso acesso à UE e à OTAN. Se houver um confronto entre os Estados Unidos e a União Européia, isso não poderia acontecer num momento pior para nós. Mas o que podemos fazer? Cortar-nos no meio e dar metade aos Estados Unidos e metade à Europa?"

Provavelmente, só metade não seria suficiente para contentar a França. Como se não bastasse a tensão que criaram na ONU com sua oposição a uma política mais firme contra o Iraque, os franceses parecem dispostos a agir como aqueles valentões que ameaçam bater em qualquer um que não concorde com eles. Agindo como um garoto mimado que vê seus desejos contrariados, o presidente francês Jacques Chirac ameaçou nada veladamente os países do leste europeu: "eles perderam uma grande oportunidade de ficar calados", disse, aparentemente ainda não recuperado da humilhação de ser chamado de parte da "velha Europa" por Donald Rumsfeld.

A presidente letoniana não parece preocupada com as ameaças de Chirac. Ela diz que os países da Europa oriental forçados a formar o bloco comunista aprenderam o valor da liberdade da maneira mais dura possível. "Nós sabemos o que 'tirania' significa e quais são as consequências de tolerar tiranos", disse Vaira Vike-Freiberga. "Nós sentimos, nós vivemos, nós sofremos as consequências." 
Segunda-feira, Fevereiro 17
 

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Parada Difícil

No mais recente programa de debates da Band exibido aos domingos à noite e apresentado por Marcia Peltier, o antiamericanismo dos nossos coleguinhas teve farto banquete. A vítima foi o cientista político da USP, Braz de Araújo (acredito ser este o nome dele) que defendia a postura de Bush contra Saddam com argumentos incontornáveis.

Num dado momento da discussão com os jornalistas, sobre o papel da ONU sob exame com a decisão da entidade global de poupar Saddam ao limite, Marcelo Parada argumentou dizendo que, com uma ONU enfraquecida, os EUA poderiam muito bem um dia achar que estão livres para invadir a Amazônia já que, pela lógica turva do jornalista, nada poderia impedí-los.

O senhor Parada esquece que, em primeiro lugar, é justamente a ONU quem tem os maiores interesses em influenciar a região amazônica. Não recordou também que, dentre as centenas de ONGs atuando no Brasil, pouquíssimas tem sede nos EUA ou estão sob influência da Casa Branca. Por lá abundam, isso sim, ambientalistas e ecochatos de toda a Europa, mais notadamente belgas, franceses, escandinavos e alemães, a maioria atuando globalmente e com o apoio das Nações Unidas e suas fundações de "amparo" às políticas sociais e de meio-ambiente para o terceiro-mundo.

Um livro fundamental sobre o assunto, aliás, é "A Farsa Ianomâmi", de Carlos Alberto Menna Barreto, da Biblioteca do Exército Editora. Estão todos explicados lá, a começar pelas entidades que defendem a ampliação cada vez maior das reservas indígenas a fim de engessar definitivamente o progresso da região amazônica. Ao contrário do que pode pensar o sr. Parada, eventuais pressões da Casa Branca para controlar a maior floresta equatorial do mundo não chegariam perto do imenso lobby de fundações e organismos internacionais, os mesmos que abominam as forças conservadoras americanas ora no poder.

Apenas o enunciado de tal hipótese, essa, formulada pelo sr. Parada na Band, seria suficiente para sair do estúdio às gargalhadas não fosse o seu interlocutor, homem cordial, ter evitado a chacota fazendo de conta que não ouvira tal disparate. E assim caminha o jornalismo brasileiro..

 
Domingo, Fevereiro 16
 

O JN entre o PT e as FARC. Aqui

 
Sábado, Fevereiro 15
 

JN, as Farc e Lula

Recebi o seguinte e-mail de um leitor sobre a edição desta sexta-feira do Jornal Nacional:

Prezado Sandro,

Hoje (sexta) o Jornal Nacional da Globo produziu um peça fantástica de propaganda diversionista no descarado intuito de varrer para de baixo do tapete situação que, de outro modo, se configuraria a todos como um verdadeiro escândalo. Explico, o jornal noticiou que o governo colombiano desbaratou um atentado terrorista contra a vida do presidente Uribe, que seria perpetrado pelas FARC, amanhã durante uma visita a uma localidade de seu país. Tal atentado consisitiria em derrubar o avião do presidente, e, no processo, matando todos os demais que desafortunadamente o acompnhassem, claro. Ao que parece, pois a notícia foi bastante rápida e concisa, os narcoterroristas conseguiram explodir a casa que lhes servia de paiol vitimando fatalmente em torno de 15 pessoas, com certeza para apagar os rastros de seu fracassado intento ante a descoberta do plano pelas forças de segurança em preparo da visita do presidente.

Esta notícia em si é a penas mais um exemplo cabal da falta de qualquer princípio moral, ético ou humanitário de um grupo terrorista que já "justiçou" até civis refugiados em igreja. Mas o escândalo maior ainda estava por vir. Após alguns minutos da exibição desta matéria, eis que o JN retorna ao assunto Colombia para dizer que o presidente Lula escreveu ao secretário geral da ONU pedindo intermediação no conflito Colombiano para uma solução pacífica entre todas as partes envolvidas. O crucial aqui foi o intervalo de tempo decorrido entre as duas inserções. Ora, por que será que duas matérias relacionadas exatamente ao mesmo tema, qual seja, o conflito entre governo e narcoguerrilha na Colombia teria necessitado de duas inserções em tempos distintos no noticioso? Pelo óbvio motivo de que a apresentação sequenciada das duas matérias teria feito a conexão fatal, mesmo para as mentes mais entorpecidas, do absurdo em si da iniciativa do presidente do Brasil. Qualquer pessoa mais desatenta teria concluído que o presidente brasileiro considera como parte litigante legítima na Colômbia um grupo terrorista que acabava de planejar matar o presidente de seu país, tendo sido este eleito pela enorme maioria de sua população para dar combate ao flagelo que a narco-guerrilha comunista impinge ao país. É escandalosa e imoral a iniciativa do governo do PT de querer tratar facínoras como uma parte que possa se sentar em uma mesa de negociação com direitos e prerrogativas semelhantes ao de um governo democrático, quando na verdade apenas aos rigores da Lei e da Justiça eles teriam direito.

O JN deliberadamente furtou a imensa maioria da população brasileira a oportunidade de intuir e compreender a imoralidade do ato e o assinte perpetrado contra o povo e o governo colombianos pelo governo brasileiro. Espero, para o bem de todos nós, que o presidente Uribe possa efetivamente ganhar esta guerra.

Leia mais sobre o assunto amanhã em www.midiasemmascara.org

 
Veja aqui porque o jornalismo feito no Brasil é um dos piores do mundo.

e-mail - guidalli@redel.com.br

Editor: Sandro Guidalli